se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
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Fev 11
publicado por devagar, às 10:42link do post | comentar |

Há coisas nesta cidade, que não deve haver em muitos mais sítios. Vou falar na qualidade de vida, porque compensa quase tudo. Aqui temos empregadas (ou empregados). A eficácia dos mesmos é francamente acima de tudo o que conheci na Europa.

Na minha casa trabalha a Felismina, a quem já anteriormente me referi como a fadinha boa que trata do que é meu.

Mas tratar não define tudo o que ela faz.

Vou por partes: é pontual, chega antes das 7 da manhã - a vida na minha casa começa com um despertador que toca sem constrangimentos pelas 5,30 - e se for necessário chegar mais cedo, diz que sim com um sorriso. Entra bem disposta, limpa e lava como nunca vi ninguém fazer no hemisfério norte, ou seja, o branco fica mesmo branco, as nódoas que teimosamente não querem sair da roupa não a derrotam nem a fazem desistir; os cantos pouco acessíveis e onde o cotão gosta de instalar são invadidos por ela com determinação, os armários limpos por dentro com regularidade, as varandas diariamente lavadas, a roupa sempre em dia e arrumada, a respeitar o modus faciendi dos patrões, casas de banho e cozinha sempre impecáveis .

Serve o almoço à mesa, com a pontualidade e as dores do patrão que chega esfomeado às 12,30, e cozinha como nos tempos da minha infância, quando não se queimavam etapas, e quando se fazia molho tártaro para acompanhar os filetes de peixe fresco, temperados a preceito e não tirados de um pacote congelados, pré fritos e temperados na fábrica, o mesmo se passa com o esparregado, feito de verdadeira nabiça ou espinafre, escolhido, lavado, cozido e transformado num acompanhamento que facilmente tornará qualquer um vegetariano. A salada é diariamente variada e nunca vi ninguém picar cebola tão miúda nem cortar rodelas tão finas de tomate e pepino, este último a bater em qualidade o que se vende de Norte a Sul de Portugal, ilhas inclusive.

Do pão da véspera faz tostas no forno, finíssimas e estaladiças - o que me impedirá para sempre de voltar a comer as tostas grossas europeias - que nós comemos num lanche tardio que é o nosso jantar também.

Nem falo do excelente caril de camarão que faz, porque esse toda a moçambicana que cozinha o sabe fazer, com coco ralado na altura num ralador que comprou e trouxe cá para casa, pedindo desculpa pela despesa que me obrigou a fazer, de 150 meticais/3 euros e que nem sei como conseguiu transportar no chapa (parece e tem o tamanho de um banco de engraxador lisboeta) quando eu sei que nos chapas as pessoas gordas têm dificuldade em entrar, porque ocupam demasiado espaço.

Diz-me que tem como sonho ser uma boa empregada, e eu digo-lhe que já é. Diz-me que não, que só será boa empregada quando eu nem tiver que lhe dizer o que é o almoço. Nessa altura, só terei que me sentar à mesa e comer.

Também não falo da forma como tratam os bebés da casa, porque na minha casa já não há crianças.

É ou não é qualidade de vida?

De nada se queixa. Não para de trabalhar.

Mas quando se senta para comer, não o faz a correr, e eu gosto que seja assim.

Nada do que faz é devagar, antes ao ritmo certo.


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