se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
14
Mar 11
publicado por devagar, às 14:11link do post | comentar |

Moçambique é (foi sempre) multicultural. Vive-se aqui em vários maputos, vários circuitos fechados que se vão respeitando e convivendo pacificamente. Há a multiculturalidade visível, pela forma de vestir, pelos sitios que se frequenta, e há aquela que só cada grupo de per se reconhece. Como nós da TUGOLÂNDIA reconhecemos de imediato outros TUGAS que colocamos num qualquer compartimento de classificação social (eu sinto-me sempre à parte, perguntando-me amiúde se por acaso serei mesmo TUGA). Outras gentes reconhecem grupos e subgrupos de acordo com bitolas especificas e de difícil compreensão.

E são mesmo muitas as gentes que por aqui estão e que me fascinam diariamente, e com fortissimas influências do Índico, que tudo, absolutamente tudo, torna diferente: aqui não se sentiu nem ao de leve o Carnaval - que é atlântico. Nada se passou, nem uma montra, nem um evento. Nada.

Vivemos a influência do ritmo das monções, que torna a-noutros-lugares-muito-aprazível-temperatura-máxima-de-26º absolutamente insuportável, porque o grau de humidade é de 83%. Passa-se o dia a suar de forma incontrolável, só aliviada pela climatização. Por isso dormimos sempre com o ar condicionado ligado, desde o recém nascido ao idoso. Aqui dá saúde.

E há sítios onde vou e me parece difícil acreditar que este país foi alguma vez território colonial TUGA. Enfim.

Hoje estive em zona monhé, um calor na casa dos 30 e tal, numa loja sem climatização - porque hoje de manhã houve prolongada falha de energia - e uma rapariga atendia (a suar em bica) ao balcão de negro vestida (a lembrar os filmes bíblicos made in Holywood). Enquanto esperava, falamos do tempo, que é o melhor tema de conversa quando outro não existe.

 

Queixou-se da chuva de ontem de manhã, que aumentou a humidade e não refrescou.

Solidarizei-me.

Perguntei-lhe - eu de cavas e decotes - se a roupa que trazia não lhe fazia calor. Que sim que fazia, mas que estava habituada.

Desacreditei.

Não havendo ninguém a ouvir a nossa conversa, perguntei-lhe se quando chegava a casa se vestia (neste caso despia) mais leve, mais à vontade, disse-me que sim, mas só no quarto dela.

Gostei de gostar de ser TUGA.

É tudo devagar...e relativo.


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