se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
05
Abr 11
publicado por devagar, às 20:02link do post | comentar |

O país é imenso. Não só porque efectivamente o é - e basta olhar um mapa - mas porque a viagem se faz lenta, penosa e dificilmente, o que, quando tudo corre bem, constitui o seu inegável charme.

Fazer quilómetros não é tarefa fácil. Distâncias curtas podem demorar muitas horas. Um bom autocarro com televisão e ar condicionado (um luxo para a magra carteira moçambicana) leva das 3 da manhã às 6 da tarde para ir de Maputo para à Beira (quem pode vai de avião), imagine-se então o que demora o maxibombo popular...

Escapadelas turísticas com percursos gastronómicos são conceitos ocidentais. Aqui há poucas estradas, muitas em más condições, que nos obrigam a pensar onde abastecer, onde pernoitar, o que levar, o que pode fazer falta. Na lista é essencial não esquecer um cabo para rebocar carros atascados na areia, água para nós e para o carro, lanterna(s), repelente de insectos, comidinha porque tantas vezes não há nada pelo caminho e quando há não tem as condições mínimas, dodots que são essenciais e salvam muitas situações, e se já se está minimamente familiarizado com o modus vivendi local uma ou 2 capulanas, que dão sempre jeito e servem para tudo.

Básico é não sair da cidade sem o depósito atestado e com dinheiro vivo na carteira, há imprevistos e ATM's que não funcionam. Tudo isto é muito complicado para quem vem de um país dito civilizado, julga com facilidade e rapidez e pensa que tudo funciona aqui como funcionaria lá.

Da última vez que fomos à praia da Macaneta, rebocámos por 2 vezes o mesmo carro de um brasileiro, um Ford 4x4, que noutras mãos não teria precisado da nossa ajuda, mas que se nós não ajudássemos ainda agora lá estaríamos. E isto antes de chegar à praia, que estava fantástica, e que na realidade fica só a uns 35 quilómetros do Maputo.

No regresso, a curta distância transformou-se em cento e tal quilómetros, que nos levaram 6 horas a fazer. Porque o batelão que usamos para atravessar o rio - a praia e o mar ficam do outro lado - se avariou. Houve várias tentativas para o arranjar, todas goradas, e uma imensa fila de carros cujos passageiros, eu incluída, esperaram pacientemente horas quentissimas da tarde, na esperança de uma solução - que não veio. 

E como ficámos do lado errado, para voltarmos para o Maputo tivemos que andar por trilhos de areia, em comboio de imprescindiveis 4x4 (solidário excepto 2-Tugas-de-critica-fácil, que bazaram sem dar satisfação, enquanto nós esperavamos por eles estoicamente 1 hora no meio do mato) com guias locais e a depender de autorização para atravessar a enorme plantação e fábrica de refinação de açúcar da Maragra, que por acaso até se podia atravessar, porque alturas há do ano em que a água do rio não permite tal aventura...

Casas de banho, gasolineiras, bicas, água, sandes, revistas, jornais, assistência em viagem, estradas principais e secundárias - nada. Cada um sobreviveu com o que tinha e não ouvi ninguém queixar-se.

Dei comigo a pensar, devagar, que governança, lei e ordem necessitam de vias de comunicação operacionais. Quando não as há impera a lei do mais forte, que empunha o chamboco (= pau) e bate no mais fraco até o ouvir cantar o Mama Ué.

Pensei muitas outras coisas, mas ficam para outra vez.

Ilusões?

Vida d'África.


Networkedblogs
mais sobre mim
Abril 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
27
28
29
30


pesquisar neste blog
 
URL
http://devagar.blogs.sapo.pt
Follow luisa385 on Twitter
clustermaps
Live Traffic Feed
blogs SAPO