se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
03
Jan 12
publicado por devagar, às 20:46link do post | comentar |

Estou prestes a voltar para o Maputo. Muito ficou por fazer e muito foi feito, sempre esta sensação de que não consigo  cumprir uma lista mental que ninguém - a não ser eu mesma - escreveu e quer cumprir.

Sei que vou ter que andar devagar e vai saber-me muito bem.

Sei também que vou voltar a ser TUGA e disso tenho pouca vontade, é que as histórias tugas em Maputo deixam-se quase sempre com vontade de não pertencer ao grupo.

Eu explico.

Se nós aqui consideramos que o português tem pouca consideração pelos outros, e se nós aqui pensamos que tem sido lento o processo que levou os portugueses a tornarem-se no dia-a-dia cidadãos europeus, com comportamentos racionais, então quando os exportamos para Moçambique toda a consideração pelo próximo desaparece e os comportamentos tornam-se irracionais, e é claro que nos custa levar a etiqueta TUGA no peito.

Um à-parte: deste grupo exluo os políticos porque são de facto diferentes, se calhar oriundos de outro planeta, e que gostam de ir ao Maputo e passear na Julius Nyerere, artéria muito principal da cidade, cheia de bons hoteis e restaurantes, e distribuir muitos sorrisos, vestidos da forma mais informal que conseguem.

Para que me compreendam vou relatar um só episódio tuga: há cerca de 3 semanas, uma senhora tuga não gostou de ver uma camioneta parada em segunda fila na 24 de Julho, a descarregar vidros e alumínios para obra em execução. E sabe-se lá por que razão, chamou a si o caso. Refira-se que a referida senhora tinha o seu carro um 4x4 estacionado ali e podia sair à-vontade. Então foi à carrinha e retirou a chaves da ignição, preparando-se para se ir embora com as chaves.

Nem faço comentários.

O condutor da camioneta viu a senhora e dirigiu-se ao referido 4x4. A tuga mostrou enorme surpresa por se tratar de um branco - "julgava que o motorista da carrinha era um preto" - e colocou a chave da camioneta entre as pernas, em atitude de desafio, e falou de forma desabrida, como se se tratasse de polícia de trânsito.

A situação manteve-se em níveis aceitáveis porque a tuga estava acompanhada de uma filha adolescente, que ficou muito envergonhada e pedia à mãe para devolver a chave e ir-se embora, e o condutor da camioneta, depois de desligar o 4x4 (porque senão a tuga ía mesmo embora), teve consideração pelo o óbvio sofrimento da miúda e absteve-se de dizer-lhe mais.

Sobre a matéria fico-me por aqui, e não escrevo mais porque nos diminui.

Mas são estes episódios que me fazem querer não ser tuga.

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Se se identifica com essa gente, não é TUGA. Pertence à raça Lusa (ou o que se lhe queira chamar), mas não é TUGA.

TUGA é o que descreve e com cujos ares, atitudes, bocas, olhares, preconceitos não se identifica, nem se identificavam outros e outras que por essas terras passaram há mais tempo.

Quer queira quer não, Mama África, já lhe entrou no sangue, ou já lá estava, só que não o sabia.

Depois foi só ter contacto com a terra vermelha, beber água do Incomati, cheirar as massalas e os frangipani, respirar as lufadas de vento vindas do Sul, esse vento que faz as suladas que em instantes encapelam as águas mansas da baía, e pronto... acabou-se...

.. quero dizer, acabou-se a dúvida. Não é TUGA. É Moçambicana. Para bem ou para menos bem.

Em Swahili diz-se - Karibu sana - Welcome much!
nando a 4 de Julho de 2012 às 15:49

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