se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
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Mar 12
publicado por devagar, às 12:53link do post | comentar |

Diz-se do moçambicano, que sai de casa todos os dias para djobar (job =emprego em inglês). 

Inspirado no léxico britânico significa algo que é, de facto, diferente de trabalhar. Pelo menos para um ocidental habituado a regras, horas, prazos. Djobar é diferente, é aquilo que os bradas (adoptado do americano brother/bro) fazem, que são todos da mesma irmandade ou família, e que se unem contra o boss, necessariamente diferente dos bradas e, pelo menos no ver destes, pior. Esta é uma das razões (mas há outras) que explicam porque é mais fácil obedecer ao branco estrangeiro do que ao preto nacional.

Os expatriados esses deveriam trabalhar, e haverá muitos que o fazem, tal como uma minoria moçambicana, mas alguns também já aprenderam a djobar.

Os cafés estão cheios de malta a djobar.

 

E também é comum ver-se trabalhadores a dormir à hora em que deveriam trabalhar. Encostados às árvores, deitados no chão, sentados em cadeiras à frente de toda a gente, em qualquer repartição... Operários deixados à-vontade dormem. E se o capataz for um brada todos descansam, ou seja, djobam.

Se passearmos de manhã pela cidade a maior parte dos guardas (=porteiros) dos prédios e vivendas, estão sentados a dormir horas seguidas. É um facto que de noite dormem mal, e acordam cedo para varrer os passeios e tratar de encher os depósitos de água dos prédios. Se fizermos bem as contas dormem muito mais horas do que um adulto necessitaria. A alimentação é deficitária, e a energia vem do chá com várias colheres de açúcar que tanto bebem. Nos meses mais quentes, dorme-se muito mais durante o dia, o calor rebenta com qualquer um.

Depois há os malandros, que djobam o dia na pedincha, prometem guardar (e lavar) os carros assim que estacionamos, e depois baldam-se mas aparecem assim que voltamos para receber o dinheiro pelo serviço que não fizeram; impingem-nos o que não queremos comprar, andando de volta de nós como um mini enxame de abelhas e insistem até vislumbrarem alternativa - e recomeçam a ladainha.

Isto também é a malta a djobar...

As empregadas domésticas se conseguirem trabalhar para os expatriados são, nesta sociedade, altamente privilegiadas. Ganham muito mais do que os guardas e comem muito melhor. Algumas trabalham muito devagar - djobam também.

Tenho para mim que elas andam devagar para fazer render o trabalho por todo o dia, não vá a boss pensar que lhes paga muito.

Este país tem um muito sério problema de baixa produtividade.

Djoba-se sempre devagar.


Este post está brilhante!
O conceito djobar é perfeito (não pelo que é, mas por quão bem descreve a realidade!
Beijinhos!
Inês Black a 15 de Março de 2012 às 15:41

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