se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
29
Ago 10
publicado por devagar, às 21:10link do post | comentar |

Um dos grandes problemas de África, e Moçambique não é excepção, é a propagação da Sida em relações heterossexuais.

Há aqui por toda a parte, até nos bancos dos jardins, imensa propaganda de combate à propagação do HIV.

Curioso... grande parte deste povo é danado para a brincadeira.

 

 

 

 

A publicidade mostra os paradigmas da sociedade moçambicana: muito diferentes da europeia?

A que rede pertencemos nós?

Seremos todos uns gandas malucos?

A pensar devagar.


26
Ago 10
publicado por devagar, às 18:41link do post | comentar |

Hoje fui como de costume fazer o meu footing na Av. Friedrich Engels, perto de onde moro, e um dos locais mais bonitos da cidade, onde se desfruta de uma vista absolutamente deslumbrante.

Tanto é um bom local para fazer o footing e começar bem o dia que o próprio Sócrates aqui veio (fingir que é atleta) e foi filmado para as televisões a correr por baixo do miradouro repleto de boganvilias.

 

 

 

 

Ía eu ía eu e tive que parar, pois nem acreditava no que ouvia.

Um grupo de miúdos da pré, com as respectivas educadoras a fazer uma roda e a cantar (pasmem e cantem para terem a sensação completa):

 

Indo eu indo eu

a caminho do Maputo

encontrei um macaquinho

escondido no capim

Ora sobe sobe sobe

Ora desce desce desce

Ora pula, pula, pula

e se esconde no capim

 

 

Aculturações, sensações estranhas, a pronúncia local, uns miúdos tão felizes.

Bocadinhos da minha infância reinterpretados.

Andei por ali - devagar.


25
Ago 10
publicado por devagar, às 06:38link do post | comentar | ver comentários (2) |

 

No mundo mais desenvolvido, está hoje na moda o baby sling, que a mulher africana usa há séculos para carregar - com o conforto possível - o bébé, primeiro de frente, depois de lado e depois às costas, conforme vai crescendo. Aqui o sling é uma simples capulana, que normalmente tem 1,10 de largo por 1,90 de comprido.

 

 

Em Moçambique é-se mãe muito cedo, e vê-se muitas vezes mulheres muito novas com o filhote às costas.

Os bebés aqui são fantásticos, andam por todo o lado, embalados, contentes e não choram. Fazem um todo amarrados às mães.

 

 

Basicamente, usa-se este sling desde tempos imemoriais por toda a zona do Índico.

 

 

É muitas vezes em cima de uma capulana que se dá o parto. A capulana serve para muitas coisas, desde o sling, a lençol, colcha, toalha de mesa, cortina, almofada, a manta de chão, para proteger da chuva e do sol e até do frio.

Mulher africana que se preze tem várias, recebe-as como presente em situações específicas da vida, e sabe usá-las no dia-a-dia e em situações formais; gosta de padrões novos, de variedade, de cores. Dependendo de onde vem, a mulhar africana prefere quadrados, flores, desenhos geométricos, estas ou aquelas cores. A capulana completa-se com o lenço na cabeça, faz conjunto.

A capulana lava bem, não deita tinta, é de algodão de boa qualidade.

A capulana custa barato. (O sling uma fortuna, comparativamente)

 

 

Sem capulana África não seria África;por si só, a capulana é fonte de muita informação, que se aprende devagar.


24
Ago 10
publicado por devagar, às 19:23link do post | comentar |

 

Hoje foi o dia da capulana, uma loucura a Casa Elefante, na Baixa.

A quantidade, o colorido, a variedade dos panos.

A vontade de tudo comprar.

E a quantidade de mulheres a comprar capulanas, que são usadas, por cima da roupa, em combinações sempre surpreendentes, sempre elegantes.

Na cabeça então ficam demais.

E o porte altivo de quem as sabe usar bem.

Para apreciar devagar.


22
Ago 10
publicado por devagar, às 17:36link do post | comentar |

Todos os dias entre as 6,00 e as 6,30h mal o sol ameaça aparecer sou acordada por um magnifico galo, de uma das muitas capoeiras que há pelos jardins da cidade, que só cessa a cantoria lá pelas 7,30h da manhã e que canta mais e mais alto que todos os seus concorrentes que começam e acabam a frenética actividade mais ou menos à mesma hora.

Isto seria viver no campo, se não fosse viver no Maputo, na zona nobre, muito perto do Hotel Avenida, onde Sócrates há poucos meses se instalou.

Continuamos devagar.



21
Ago 10
publicado por devagar, às 21:50link do post | comentar |

Hoje, uma emoção diferente, ao ritmo allegro africano e lento de Mozart.

Muito bom.




20
Ago 10
publicado por devagar, às 07:51link do post | comentar |

 

Even a leopard has a wife.

Até o leopardo tem uma esposa.

After dark all cats are leopards.

No escuro todos os gatos são leopardos.

 

Ontem tivemos que dar 210 rand à polícia sul africana (a multa de verdade custava 500, tive que negociar woman to woman) - numa operação stop cujo critério era parar carros com matrícula de Moçambique; depois de muita conversa (de chacha) depois de muita justificação, depois de muitos depois, tudo se resumiu a cerca de 20€ dados discretamente e directamenta na mão de uma polícia que me dizia a mim: I'm afraid of your husband, pessoa que todos sabem e conhecem como zen-pacífica. No fim ainda disse ao Pedro: you have to learn english.

Isto de virmos cansados, no fim da viagem, já perto da fronteira, a noite a descer rápida...

 

The leopard is a versatile hunter and generally nocturnal.

O leopardo é um caçador versátil e geralmente noturno.

 

Today, this is what I'm thinking:

Hoje, estou a pensar assim :

I thank God that I did not grow up with a mother who wore a leopard skin headband and a white see-through t-shirt.

Agradeço a Deus não ter crescido com uma mãe que usava uma bandelete de pele de leopardo e uma t-shirt branca transparente...


Need to slow down.

Temos que abrandar.


18
Ago 10
publicado por devagar, às 16:05link do post | comentar |

 

Porque se movem populações?

Porque se movem indivíduos?

Que factores formataram as sociedades?

Porque são as sociedades multiculturais?

Como percepcionamos essas sociedades?

O que é que nos condiciona?

Devagar - vamos pensar nisso.


17
Ago 10
publicado por devagar, às 16:16link do post | comentar |

Quem tem a sorte de estar na esplanada do Acácia, a Catembe ao fundo, a saborear um sundowner e a olhar para a magnifica vista que se nos oferece, gosta que tudo ande devagar.

Então é uma terapia - como outra qualquer - que nos ensina a parar.

Parar é muito difícil para o europeu;parece - à primeira vista - que nada se movimenta.

Puro preconceito. As dinâmicas sociais não têm que ser todas iguais.

Cada sociedade tem os seus próprios mecanismos de regulação e reage desta ou daquela maneira aos estímulos exteriores.

Sentada na esplanada do Acácia tento observar e aprender esta nova dinâmica.

É claro que tudo se move, como numa partitura lento e allegro.

Porém o sol põe-se depressa.


16
Ago 10
publicado por devagar, às 18:12link do post | comentar | ver comentários (1) |

Apreciar a vida.

Abrandar.

Saborear.

Viver com tempo.

D-e-v-a-g-a-r.

Tudo, absolutamente tudo mais devagar.

Prioridade às pessoas, aos afectos.

Prioridade à v-i-d-a.

 

 

 

 


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