se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
28
Set 10
publicado por devagar, às 12:36link do post | comentar | ver comentários (1) |

Domingo por estes lados é mesmo o dia do Senhor.

Ir à Igreja faz-se de modo diferente do que se pratica em terras lusas.

Os populares vão - se possível - todo o dia; no mínimo, toda a manhã.

A fé aqui tem pesadas influências não católicas. Sente-se, forte, a mão das missões protestantes ou, como se diz hoje, evangélicas, talvez porque nestes lados o peso britânico foi - e diluído e aculturado vindo pela África do Sul continua a ser - muito presente. Também se vêem muitos muçulmanos, mas a forma de estar deste grupo é mais discreta e introspectiva.

Aos católicos basta a ida à missa, ou no Sábado ao fim do dia ou no Domingo de manhã.

A festa grande é a evangélica.

É ver logo de manhã a azáfama dos bairros populares, com as mães vestidas de branco imaculado, com a capulana em cima para não sujar, os chapéus enormes, o branco mais branco e o sorriso mais doce. Os pais de fato e gravata. E é assim até ao fim do dia. Que é de festa, de convívio.

Uma alegria esfusiante, até voltar para casa, a capulana em cima do branco domingueiro, a amarrar a criança que já dorme...volta-se a pé, de carro e de chapa.

Volta-se cansado e feliz.

E na segunda recomeça o dia de trabalho.

Devagar.

tags: ,

21
Set 10
publicado por devagar, às 15:58link do post | comentar |

A temática do apartheid e da luta pelos direitos humanos interessa-me e muito.

Um documentário a não perder, se tiverem a sorte de o encontrar...

Para ver devagar.

 

 

 

 

The Documentary Series

Have You Heard From Johannesburg is a powerful seven-part documentary series by acclaimed filmmaker Connie Field that shines light on the global citizens’ movement that took on South Africa’s apartheid regime. It reveals how everyday people helped challenge – and end – one of the greatest injustices the world has ever known.

Have You Heard follows three generations of the struggle inside South Africa and battles waged in sports arenas and cathedrals, in embassies and corporate boardrooms, at rock concerts and in gas stations around the globe. Pulling together the many threads of international anti-apartheid action for the first time in any medium, Have You Heard From Johannesburg is an inspiring example for citizens and movements around the world. 

The Campaign

As the world celebrates the twentieth anniversary of Nelson Mandela’s release and turns its attention to South Africa for the World Cup, the Have You Heard From Johannesburg Campaign will shine a light on the achievements of the global anti-apartheid movement and inspire audiences to think about what they can do to change the world today. Broadcasts of the series, an interactive web platform, sneak preview events, and public screenings in 2010 will bring these untold stories to communities around the globe.

tags:

publicado por devagar, às 13:31link do post | comentar |

Por todo o mundo a água é muito importante: é fonte de vida e de morte, que gostamos de esquecer que faz parte da vida. Ou há muita, como presentemente no Paquistão, e mata, ou escasseia, e sacrifica.

Aqui é escassa.

Os prédios no Maputo têm depósito e bomba e os habitantes esquecem que não há abastecimento de água as 24h do dia. São os guardas dos prédios que fazem a gestão desse abastecimento. E fazem-no muito bem. Se falta também a luz, a bomba não trabalha...e então é um problema, dos grandes.

No campo, cabe à mulher arranjar água, e chega a andar quilómetros diários para conseguir encher os bidons, que transporta com tanta elegância que parecem leves, quando o não são.

Se há quem tenha vida de sacrificio é a mulher da ruralidade, que de tudo e de todos cuida, numa vagarosa rotina diária de varrer, cultivar a machamba (=horta), cozinhar (é preciso lenha diariamente) cuidar, lavar...

Pouco descansa, se é mãe faz tudo isto com o filho às costas, amarrado numa capulana, mas não deixa de fazer.

No hemisfério Norte muita gente se queixa e nem sabe bem o que são dificuldades diárias.

Viajando devagar por Moçambique - 5 horas para fazer 200 kilómetros - por puro prazer, e abrindo os olhos para de facto ver, sei que nesta terra me ligo às coisas que na realidade são importantes. Sem concessões ao que é fácil nem ao discurso do terceiro mundo que é chato/atrasado/pouco inteligente - porque não é.

E sei-me muito privilegiada e sinto-me voltar a ser mais gente.

É bom.


publicado por devagar, às 13:21link do post | comentar |

Hoje tiro o chapéu à minha prima.

Lição de vida de alguém que andando geralmente devagar, hoje andou bem depressa: voou.

Parabéns.

Exemplos deste todos precisamos. Sempre com alegria.

E todos que me conhecem sabem que não sou sportinguista.

Sou primista.

tags: ,

14
Set 10
publicado por devagar, às 10:30link do post | comentar |

Homenagem a um cantor já convertido e praticante de outras velocidades:

Se também se quiserem converter: pratiquem, devagar...

 

É devagar!
É devagar!
É devagar é devagar
Devagarinho...(4x)

Devagarinho
É que a gente chega lá
Se você não acredita
Você pode tropeçar...

E tropeçando
O seu dedo se arrebenta
Com certeza não se agüenta
E vai me xingar...

É devagar!
É devagar!
É devagar é devagar
Devagarinho...(4x)

Eu conheci um cara
Que queria o mundo abarcar
Mas de repente
Deu com a cara no asfalto
Se virou olhou pro alto
Com vontade de chorar...

É devagar!
É devagar!
É devagar é devagar
Devagarinho...(4x)

Sempre me deram a fama
De ser muito devagar
E desse jeito
Vou driblando os espinhos
Vou seguindo os meus caminhos
Sei aonde vou chegar...

É devagar!
É devagar!
Oh! Oh! Oh!
É devagar é devagar
É devagar é devagar
Devagarinho...(2x)

É devagar!
É devagar!
É devagar é devagar
Devagarinho...(10x)


11
Set 10
publicado por devagar, às 20:54link do post | comentar |

Nunca deixo de admirar a facilidade com que nestas terras se encontra o equilíbrio a andar de carro.

E eu passo explicar. Nas carrinhas de caixa aberta cabem muitas pessoas, sentadas na parte de trás, ao ar livre, sem - digamos assim - base de apoio e sem conforto absolutamente nenhum.

Mas andam cheias. De adultos, crianças, velhos e novos: há sempre lugar para mais uma pessoa ou carga.

A abarrotar.

Just take a look (e reparem nas capulanas):

 

 

É um transporte popular, utilizado para trabalho mas também para dias festivos

Já vi cortejos de casamento nestes carros. Por vezes passam por nós carrinhas em que os passageiros vão todos a cantar.

Fantástico mesmo, é o equilíbrio.

É claro que com carrinhas cheias assim se anda ... devagar.


06
Set 10
publicado por devagar, às 15:16link do post | comentar |

No hemisfério Norte, nos países que se preocupam seriamente com a saúde, gosta-se de estar bronzeado.

O tom de pele muito claro não é considerado muito atractivo, ou sexy, gastam-se fortunas em cremes auto-bronzeadores, a investigar as melhores e mais fáceis combinações e a comprar o último, porque não mancha - o que afinal é mentira.

A excepção é a Nicole Kidman, que resolveu que branco é mais giro e mais sexy, e fica-lhe a matar.

No hemisfério Sul as coisas não são bem assim.

Na Índia, por exemplo, país da medicina aiurvédica que faz tanto furor junto das sociedades onde tudo abunda e as pessoas, por isso mesmo, se chateiam de morte...ora na Índia ambiciona-se ser-se saudável/healthy e mais do que tudo claro, branco/fair.

E a investigação aí está, os cremes aparecem, e como de pequenino é que se torce o pepino, em 6 semanas o moreninho bem massajado com óleo aiurvédico fica branqueado e toda a família feliz...e o que são 6 semanas na vida de um garoto?

Um bébé clarinho e rechonchudinho (bebés gorduchos?!?! os pediatras do Norte dizem que não).

Aqui há outras lógicas...

Para apreciar muito devagar.


02
Set 10
publicado por devagar, às 07:26link do post | comentar |

Nas manifestações de ontem no Maputo, falou-se muito da falta de responsáveis.

O rosto destes movimentos violentos e que deixam as pessoas em casa, sem saber o que fazer, é o povo - descontente; por isso não há protagonistas institucionais com quem falar.

Só políticas a terem que ser pensadas e comunicadas. Numa época em que as comunicações são tecnologicamente muito rápidas, por aqui andaram devagar.

Por todo o lado crianças - 2 mortes a lamentar - mas nos bairros populares por todo o lado há crianças. Miúdos com 4 anos vão sozinhos à padaria; miúdos da primária andam sozinhos quilómetros para ir para a escola.

Ontem tudo se movimentou muito depressa.

Hoje o rescaldo é lento, mas os analistas são, na sua maioria, surpreendentemente honestos e sinceros, não há elaboração pseudo-intelectual para tentar demonstrar a quadratura do circulo. É o que é e todos lamentam. Muito.


01
Set 10
publicado por devagar, às 06:39link do post | comentar | ver comentários (1) |

Quem, como eu, gosta de andar pelas ruas de Maputo, e já atingiu - digamos assim - a idade madura, fica muitas vezes surpreendida com a constante ladaínha dos vendedores:

 

 

- compra mãe

- não preciso, já tenho

- ajuda mãe, faço bom preço

e insistem, insistem, insistem...

Depois, à medida que nos vão conhecendo, deixam de ser tão insistentes. Mas if you are new in town...não largam.

Pessoalmente, acho curioso como arranjei tantos filhos. É assim por todo o lado: mãe compra, mãe ajuda: somos mamã e papá.

 

Vendedor de fichas triplas, adaptadores e extensões.

Muito útil em Maputo. Poucas tomadas nas casas (antigas) e

a maior parte das fichas dos pequenos electrodomésticos

são sul africanas, têm que se adaptar.

 

Um dia uma vendedora de amendoim insistia muito, mãe compra, mãe faço bom preço... e eu disse-lhe, não posso minha querida, isso engorda muito, não como amendoim

Voltou-se para mim, surpreendida primeiro, depois em tom de cumplicidade

- fazes bem mamã, o papá gosta assim.

 

Coisas para apreciar, devagar.

 


Networkedblogs
mais sobre mim
Setembro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10

12
13
15
16
17
18

19
20
22
23
24
25

26
27
29
30


pesquisar neste blog
 
URL
http://devagar.blogs.sapo.pt
Follow luisa385 on Twitter
clustermaps
Live Traffic Feed
subscrever feeds
blogs SAPO