se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
14
Mar 12
publicado por devagar, às 12:53link do post | comentar | ver comentários (1) |

Diz-se do moçambicano, que sai de casa todos os dias para djobar (job =emprego em inglês). 

Inspirado no léxico britânico significa algo que é, de facto, diferente de trabalhar. Pelo menos para um ocidental habituado a regras, horas, prazos. Djobar é diferente, é aquilo que os bradas (adoptado do americano brother/bro) fazem, que são todos da mesma irmandade ou família, e que se unem contra o boss, necessariamente diferente dos bradas e, pelo menos no ver destes, pior. Esta é uma das razões (mas há outras) que explicam porque é mais fácil obedecer ao branco estrangeiro do que ao preto nacional.

Os expatriados esses deveriam trabalhar, e haverá muitos que o fazem, tal como uma minoria moçambicana, mas alguns também já aprenderam a djobar.

Os cafés estão cheios de malta a djobar.

 

E também é comum ver-se trabalhadores a dormir à hora em que deveriam trabalhar. Encostados às árvores, deitados no chão, sentados em cadeiras à frente de toda a gente, em qualquer repartição... Operários deixados à-vontade dormem. E se o capataz for um brada todos descansam, ou seja, djobam.

Se passearmos de manhã pela cidade a maior parte dos guardas (=porteiros) dos prédios e vivendas, estão sentados a dormir horas seguidas. É um facto que de noite dormem mal, e acordam cedo para varrer os passeios e tratar de encher os depósitos de água dos prédios. Se fizermos bem as contas dormem muito mais horas do que um adulto necessitaria. A alimentação é deficitária, e a energia vem do chá com várias colheres de açúcar que tanto bebem. Nos meses mais quentes, dorme-se muito mais durante o dia, o calor rebenta com qualquer um.

Depois há os malandros, que djobam o dia na pedincha, prometem guardar (e lavar) os carros assim que estacionamos, e depois baldam-se mas aparecem assim que voltamos para receber o dinheiro pelo serviço que não fizeram; impingem-nos o que não queremos comprar, andando de volta de nós como um mini enxame de abelhas e insistem até vislumbrarem alternativa - e recomeçam a ladainha.

Isto também é a malta a djobar...

As empregadas domésticas se conseguirem trabalhar para os expatriados são, nesta sociedade, altamente privilegiadas. Ganham muito mais do que os guardas e comem muito melhor. Algumas trabalham muito devagar - djobam também.

Tenho para mim que elas andam devagar para fazer render o trabalho por todo o dia, não vá a boss pensar que lhes paga muito.

Este país tem um muito sério problema de baixa produtividade.

Djoba-se sempre devagar.


07
Mar 12
publicado por devagar, às 18:35link do post | comentar |

Se há algo verdadeiramente complicado é o cabelo das africanas, delas, o cabelo deles não tem qualquer complicação, basta andar curto ou rapado, como a moda sugere, que é fresco e higiénico.

Cabelo de africana é um full-time job, e dos que não pagam.

As moçambicanas que conheço e as que vejo na rua, mudam de penteado como a noite se segue ao dia, numa velocidade estonteante e repetitiva. Crianças pequenas já têm trancinhas, totós, por vezes enfeitados com laçarotes ou pérolas coloridas...Há africanas cujos penteados têm mechas, as que desfrisam, as que usam perucas, que se vendem no mercado e no cabeleireiro, de feitios variadíssimos, idem a qualidade e o preço, as que fazem tranças, com o próprio cabelo ou com mais algum que vão incorporando, curto, médio, longo...e loiro, ruivo, bem escuro, assim-assim. Num dia está de cabelo curto, no dia seguinte tem mini tranças presas num rabo de cavalo, que lhe fica muitissimo bem. Às vezes custa reconhecer quem nos cumprimentou...


As mechas vieram libertar a mulher africana da monotonia, são pedaços de cabelo...ou de um sintético a imitar cabelo, que nas mãos de quem sabe acrescentam volume ou comprimento, se transformam em tranças, largas ou finas, e fazem penteados elaborados para os dias de festa, com destaque para os casamentos, que aqui têm um protocolo complicadíssimo, chegando ao ponto de cada grupo (família da noiva, família do noivo, amigas da noiva...etc.) ir ao mesmo cabeleireiro, para se pentear da mesma forma, já se tendo vestido de igual, por vezes com muitos brilhos e sapatos inconfortáveis, mas usados como se nada fosse, com muita alegria e panache

 

 

A festa do casamento, dependendo do dinheiro de que se dispõe, dura dias e os penteados aguentam firme. Se houver cuidado, no mínimo, duram toda a semana seguinte, e claro está dão estatuto a quem os exibe no chapa, logo de manhã...

A mesma alegria e originalidade com que se vestem é aplicada com enorme êxito ao cabelo. Quando o dinheiro é pouco ou quando os anos abrandaram a vaidade, as mulheres usam um lenço colorido na cabeça, que dá um ar muito mais composto do que se andassem sem ele.

 

As moçambicanas mais novas gostam de se arranjar, são elegantes, ousadas nas suas seleções, assumidas nas várias formas que a natureza lhes deu, e aguentam sapatos inacreditáveis no dia-a-dia, muito altos ou de tirinhas infimas, sem sequer um ai. Vão ao cabeleireiro, a que chamam salão, tanto quanto a carteira permite, e chegam a esperar horas, mas como diz a Felismina: vale a pena senhora...fico tão bonita! 

Tudo continua devagar. 


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