se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
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Abr 13
publicado por devagar, às 06:12link do post | comentar |

Aqui ninguém se refere ao tempo como estando bom, mau, frio ou quente, o termo usado e vulgarizado é a temperatura. Que já vai pregando partidas e começa a descer. Mínimas abaixo de 20ºC já deixam muita gente com frio e fazem aparecer as golas altas pelas ruas, mesmo no pico da máxima diária de 28ºC.

Hábitos são isso mesmo.

Eu dou comigo a gostar deste tempo, a dispensar o ar condicionado non-stop e percebo que tem a ver com os muitos anos vividos na costa atlântica europeia.

Estive nos últimos dias numa formação relacionada com o tema de recursos humanos, de que gostei particularmente e me faz dizer que aqui o alto potencial humano existe e atinge também níveis de excelência, e afirmo-o porque conheço bem o standard do bom trabalho na Europa.

E o mundo do saber tem poucas divisões, na formação que frequentei trabalhou-se o que se repete também incessantemente no Conselho da Europa ou na London School of Economics, a capacidade de adaptação das pessoas a diferentes contextos faz toda a diferença e permite sair com facilidade da zona de conforto e entrar no mundo do where things happen. Ontem até nas notícias de Portugal se referia que o critério de recrutamento de engenheiros portugueses para trabalhar fora de Portugal designadamente na Noruega, dependia para além da licenciatura da capacidade de adaptação.


foto de Marcus Westberg, www.LifeThroughALens.com

Se eu quiser ligar isto à temperatura, tal como os moçambicanos a concebem, direi que esse poderá ser o busílis da questão. O Moçambicano tem horror ao frio mas conheço quem vá/foi procurar formação e certificação noutros países, mesmo no pleno Inverno Europeu. Mas não é qualquer um.

Tenho para mim que este movimento de gentes, o contacto com os outros, o comparar soluções, o enfrentar o dia-a-dia do struggle for life, a capacidade de não julgar pelo prisma dos preconceitos e estereótipos mas de observar e de aprender está na base dessa capacidade de adaptação.

Aqui há uma geração de profissionais extremamente competentes, discretos, low profile e virados para os resultados. Jovens. Todos com experiência profissional fora do país e com assertividade profissional. Gosto disso e do facto de perceber que como existem os que conheço, existirão certamente outros núcleos de excelência.

Quantos? não sei.

Dar o salto do elementar, da escolaridade que é quase e só uma alfabetização, sair do limiar da pobreza é um passo gigantesco que se dá colectivamente: é política do Estado e objectivo do milénio das Nações Unidas. Muitas organizações no terreno só se podem dedicar ao imediato, que por si só é um mundo: vacinação, controlo da malária, diarreia e pneumonia, que matam muitos e todos os dias porque isso é indiscutivelmente essencial (trabalho sério financiado em muitos países da África subsaariana pela Fundação Bill & Melinda Gates).

Mas há uma altura em que mesmo alguns que têm uma vida de privilégio, acomodada e fácil, sentem a sede de saber - que é um vírus que neste mundo global só ataca alguns - e a vontade de sair da zona de conforto, que aqui é muito sufocante, e rasgar os seus horizontes.

Uma minoria. 

Devagar, esse grupo vai-se fortalecendo, mesmo que o pior seja a temperatura. 


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