se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
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Nov 13
publicado por devagar, às 19:53link do post | comentar | ver comentários (1) |

Maputo está diferente desde que os raptos de 3 pessoas da comunidade portuguesa foram divulgados nos principais meios de comunicação social.

Não é algo perceptível ao primeiro olhar, é preciso já cá estar há algum tempo para absorver esta onda triste e silenciosa que vai percorrendo amigos e conhecidos e persiste em não desaparecer. As pessoas não gostam de verificar a sua própria impotência perante os acontecimentos que se deram e fizeram o pleno nalguns jornais portugueses que enviaram jornalistas de primeira água para reportar.


O ambiente pesado que se vive resulta também da percepção de aquilo que parecia ser um caminho seguro e sustentável para o desenvolvimento poder, de repente, deixar de ser uma certeza e não ser nem caminho, nem seguro, nem sustentável.

Os restaurantes à noite têm pouca gente, os parques infantis estão sem crianças, as pessoas questionam-se se isto irá passar ou continuar e por quanto tempo, e esta incerteza gera altos níveis de ansiedade.

Obras aprazadas vão-se adiando, compras orçamentadas também - já agora o melhor é esperar.

Amigos de cá dizem-me que estas situações não são inéditas, que se verificam em países em desenvolvimento, perante o aparecimentos de abundantes recursos naturais, dizem-me também que são situações que não perduram. E todos queremos acreditar que sim.

As recomendações do Consulado mantêm-se: muita cautela, não facilitar, e chegam por mail e facebook.

Também me chegam emails sobre o que fazer no caso de ser raptado e como reagir a SMS ou chamadas ameaçadoras.

E há pessoas que não saem de casa, tolhidas pelo medo, ficam presas nessa armadilha.

Coisas que há pouco tempo não fariam sentido nenhum.

Há uma evidente contenção social a par de uma vontade (muito) decidida de se acreditar num futuro novamente normal, com problemas normais.

A rotina, o dia-a-dia sem surpresas, a vida calma desta cidade, coisas que de repente todos (re)valorizam tanto.

Tudo mesmo devagar.

 


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