se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
19
Jul 12
publicado por devagar, às 14:34link do post | comentar |

Mês atribulado pela Europa, muita viagem, muito movimento, muita família e amigos.

O tempo é o que é, e eu precisava de ter tido mais.

De regresso ao Maputo, o avião vinha cheio e partiu atrasado: Cavaco Silva e seu séquito a bordo, para prestigiar a presidência moçambicana da CPLP. Muitos empresários e guarda costas, um mundo maioritariamente masculino...que me faz sempre lembrar meninos a brincar com soldados de chumbo, tipo clube do bolinha.

De regresso ao Maputo, dizia eu, começo logo mal.

Aterro, ligo o cell (=telemóvel em língua maputense) vejo os SMS e percebo que há uma reunião para marcar que depende só do meu regresso. Uso o cell na hora para confirmar que vim sim, que já cá estou: erro fatal, esqueci-me que aqui pelas 22h30 a maior parte das pessoas já dorme...

Depois, no dia seguinte, entra pela minha privacidade a alegre Felismina, a quem ofereço o que lhe trouxe de Lisboa, incluindo uma pomada fantástica para ela por nas pernas queimadas - e visivelmente melhores - e não tenho tempo para mais, há malas para desfazer e tralha para arrumar, agendas para por em dia, telefonemas...

Venho acelerada.

O almoço correu mal, o frango meio cru, a implorar no mínimo mais 40 minutos de forno e, de uma forma geral, tudo se apresentou de forma descuidada. Zango-me um pouco (não consigo zangar-me muito porque a Felismina olha para o chão e não responde...) e na despedida digo-lhe que espero que ela venha com a cabeça no lugar no dia seguinte.

Erro fatal número 2: a Felismina estava tão preocupada com a filha - a que foi atropelada em criança por alguém que fugiu e a deixou fisicamente deficiente e se calhar também lhe afectou o entendimento, sabe-se lá, era ainda tão pequena e esperou tantas horas para ser levada ao hospital... -  que engravidara, ignorando-se com quem e onde, talvez a abrir a porta de casa a quem não deve... e há dias tinha ido tirar e que na véspera (o próprio dia do frango cru) fora com o irmão ao hospital a ver se tinha ficado bem, porque a Felismina desconfiava que alguma coisa estava a correr mal... 

Hoje, quando conversei com ela com a calma possível (sempre o fogo a atasanar o meu juízo) ela contou-me a preocupação com a filha, e as análises que lhe tinham feito no hospital, na forte possibilidade de ser diabética já que passa o dia em casa a abusar do açúcar... 

Não fiz perguntas, ouvi só, imaginando a angústia dela.

A Felismina, depois de ter desabafado tanta desgraça, ficou feliz que nem um passarinho limpou tudo com esmero e cantou muito a Jesus. E disse-me à saída, com ar sorridente, que tinha que haver salvação para a filha, e seria como Deus quisesse.

E eu disse-lhe que sim, e que seria certamente devagar. 

Estou de volta.

 


Isso foi o que, em certas terras, se chama "uma pega de caras".

Quando o mundo acabar eu quero estar em Moçambique porque tenho a certeza que aí vai chegar mais... devagar... daí a 10 anos...

Mudei de ideias porque até há pouco eu queria estar em Portugal no fim do mundo e pela mesma razão, mas acho que em Moçambique será mais garantido...
nando a 19 de Julho de 2012 às 15:53

Confesso que gosto tanto do teu texto como do comentário que li do " Nando ". Eu não comentaria melhor. Isso é que foi uma chegada, hã?
Olivia Santos a 19 de Julho de 2012 às 23:56

agora só falta entrar no ritmo certo.
Juana a 21 de Julho de 2012 às 16:58

Pois é...e o ritmo vai-se encontrando todos os dias um pouco, claro que sempre d-e-v-a-g-a-r...
devagar a 23 de Julho de 2012 às 09:19

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