se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
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Nov 12
publicado por devagar, às 05:53link do post | comentar |

Mudámos de flat (como aqui se diz apartamento) nesta semana, estamos no rescaldo. 

Ou seja, estafados.

Fez-se por etapas, porque aqui tudo se faz devagar.

Não se confia, nem no fundo se acredita que as coisas possam correr bem, sabe-se de histórias de roubos, de dinheiro que se deu de sinal para afinal no dia aprazado ninguém aparecer para o serviço.

Algumas histórias hão-de ser verdadeiras e outras não.

Agora, no rescaldo, vamos aprendendo a vizinhança nova, os novos hábitos e vamos também ouvindo os novos sons.

Agora vivo muito perto de uma mesquita, feita não à escala brutal do dinheiro do petróleo mas a uma escala de culto humanizado, de gente que trabalha, de famílais comuns.

Dos sons diários, há um de que gosto especialmente: o do chamamento do Mu'edhin na madrugada do Maputo, e outras vezes durante o dia, que me traz à memória a grata recordação de outras fases da minha vida, do trabalho que fiz pelos Balcãs, nos meses seguidos que andei a viajar para a Bósnia e Kosovo. E também no Chipre na cidade dividida de Nicosia, ao pé da buffer zone em que se confundem aqueles sons com o dos campanários das igrejas, em despique, cada um do seu lado da green line.

Não é que estes locais sejam propriamente a minha casa, que de facto não são, mas há uma familiaridade de sons que me conforta e me lembra que aquelas coisas em que teimo em acreditar - às vezes ao arrepio do meu dia-a-dia nesta enorme cidade que tudo esmaga impiedosamente, como as enormes trovoadas que põem um travão à normalidade dos nossos dias, nos levam a luz, a internet e deixam a água castanha e as estradas todas esburacadas  e me lembram que a natureza pode sempre mais - afinal, as tais coisas que teimo em querer acreditar, existem e aqui vive-se de facto em multiculturalismo e pluralidade de cultos.

O que, no mundo de hoje, é enorme.

É isto que eu, devagar, aprendo por estas paragens todos os dias e que me faz sentir bem.

 



Nice, como se diz por essas paragens quando se quer dizer - boa! Naice! É assim que se pronuncia ;)
Mas um dia, quando ameaçar uma dessas trovoadas, ou um desses vendavais e chuvadas vindas do Sul, chamam-lhes de "suladas", vai até à marginal que vai para a Costa do Sol, e depois da chuva, para o carro, se for seguro, sai, e cheira a terra, cheira o mar, absorve a calmaria, o restolhar nas folhas das palmeiras ou o sibilar mansinho do vento nas casuarinas.
Ajuda a esquecer que a electricidade faltou, que as estradas vão estar cheias de buracos, e que a água vai estar turva, esperando-se que não falte na torneira.
Enjoy your new flat with its noises.
nando a 4 de Novembro de 2012 às 11:50

Na última trovoada grande que aqui houve (3ªf dia 30 de Outubro), se eu quizesse ir à Marginal, demoraria 2 horas no minimo...foi um mega engarrafamento, uma amiga levou do aeroporto ao Bairro Triunfo 2h40m, isto sem luz e sem hipóteses de escapar dos buracos (huge pot holes)...
Mas tudo isso que tu dizes eu já fiz, em Chidenguele, e foi uma experiência 'maningue nice!'
devagar a 4 de Novembro de 2012 às 12:38

Que giro tia. Tenho mesmo de ir aí!
Inês Black a 16 de Novembro de 2012 às 10:09

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