se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
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Set 10
publicado por devagar, às 12:36link do post | comentar |

Domingo por estes lados é mesmo o dia do Senhor.

Ir à Igreja faz-se de modo diferente do que se pratica em terras lusas.

Os populares vão - se possível - todo o dia; no mínimo, toda a manhã.

A fé aqui tem pesadas influências não católicas. Sente-se, forte, a mão das missões protestantes ou, como se diz hoje, evangélicas, talvez porque nestes lados o peso britânico foi - e diluído e aculturado vindo pela África do Sul continua a ser - muito presente. Também se vêem muitos muçulmanos, mas a forma de estar deste grupo é mais discreta e introspectiva.

Aos católicos basta a ida à missa, ou no Sábado ao fim do dia ou no Domingo de manhã.

A festa grande é a evangélica.

É ver logo de manhã a azáfama dos bairros populares, com as mães vestidas de branco imaculado, com a capulana em cima para não sujar, os chapéus enormes, o branco mais branco e o sorriso mais doce. Os pais de fato e gravata. E é assim até ao fim do dia. Que é de festa, de convívio.

Uma alegria esfusiante, até voltar para casa, a capulana em cima do branco domingueiro, a amarrar a criança que já dorme...volta-se a pé, de carro e de chapa.

Volta-se cansado e feliz.

E na segunda recomeça o dia de trabalho.

Devagar.

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Eu fui parar a Moçambique em 1961. Meus pais iniciavam a sua carreira em África trabalhando para a Missão Suíça. Fomos viver para uma casa de tipo colonial no "compound" da Missão Suíça que ficava na esquina da então Pinheiro Chagas com a Elias Garcia. O "compound" chamava-se, se não estou em erro, Xhlamankulo. Lá pregou muitas vezes o Pastor Manganhela que cheguei a conhecer.

Mas o que me fez vir aqui a este blog foi o comentário sobre a duração dos cultos evengélicos ao domingo na igreja que ainda lá está hoje. Só que nessa altura a igreja abria as suas portas (sem grades) todos os dias. Os cultos começavam lá pelas 10:00 da manhã, e só acabavam depois da nossa hora de almoço.

De nossa casa, virada para a Elias Garcia, ouviam-se os cânticos religiosos a quatro vozes. Sim, isso, a quatro vozes. Sempre me admirei com essa capacidade musical. Gente do povo. As elites não iam lá. A cantar a quatro vozes, sem orgão nem outro acompanhamento instrumental.

Não precisavam. A harmonia musical era perfeita!
nando a 4 de Julho de 2012 às 15:33

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