se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
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Jan 11
publicado por devagar, às 09:10link do post | comentar |

Na minha casa do Maputo, todos os dias das 6,45 até mais ao menos às 15 horas, existe uma fadinha boa que cuida do que é meu, com dedicação e carinho, e uma inquebrantável vontade de aprender e de fazer as coisas à minha maneira. Uma memória privilegiada e um bom humor contagioso.

Tem 42 anos é alta e elegante, porte decidido, sorriso franco. É a única mulher que eu conheço que quer engordar. Já lhe disse que não é boa ideia, mas não sei se está convencida: sorri sempre e diz-me que sim.

No dia em que começou, perguntei-lhe se queria usar bata, disse - obviamente - que sim que queria muito, mas sem avental nem lenço na cabeça (vende-se o pacote inteiro por 200 meticais, cerca de 4€). Aprendi que usar bata confere estatuto. Fomos então comprar as ditas - vendem-se na rua, como tanta coisa nesta cidade - e eu deixei-a escolher, o que muito a agradou. Tínhamos parado o carro mesmo ao lado do vendedor das batas. Exigiu um saco de plástico para as trazer para casa. O carro tem lugar cativo à porta de casa: estranhei: disse-me, segura, senão parece que roubamos senhora.

Tem 6 filhos, 2 rapazes e 4 meninas, o mais velho tem 26 anos e é polícia, a mais nova tem 10 e anda na 6ª classe, boa aluna, orgulho da mãe. Ao Sábado fica em casa, porque eu lhe digo para ficar, e lava a roupa de toda a família, limpa, varre, sacode, cozinha, arruma e dá mimos aos mais novos. Ao Domingo - e os olhos brilham quando conta - vai para a Igreja logo de manhã (é católica) e à tarde não faz nada, só descansa. Porque o Domingo é para descansar, disse o Senhor Jesus.

Feliz anda porque lhe dei uns óculos de ver ao pé, especialmente porque com eles voltou a conseguir ler a Biblia, de que gosta muito.

Penso muito nela, no facto de nas sociedades evoluídas nos esquecermos do que é a luta diária pela comida, casa, água e coisas básicas. E acho-a tão mais, tão imensamente mais, do que tanta gente que conheço.

E fico assustada com o que penso.



estou a ler os textos todos... e a aprender... :)
Olívia a 4 de Dezembro de 2011 às 21:26

Vais gostar da Felismina.
E uma correcção, ela de facto é da IURD, mas diz-se católica, porque não consegue distinguir as diferenças, nem é por isso que vai à Igreja (de que tem estatuto, com diploma, de 'pilar da igreja').
Coisas de África.
devagar a 4 de Dezembro de 2011 às 21:32

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