se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
20
Jan 11
publicado por devagar, às 07:50link do post | comentar |

Temos tido um calor imenso. Sem chuva. O que é quase inacreditável porque antes de chegarmos ela caiu e bem, no sábado oito horas seguidas, fazendo lembrar cheias e dramas pessoais. Desde então pouco mais choveu. E enquanto continuar preponderante a influência do continente negro a temperatura não desce. Precisamos de ar vindo do Índico.

Isso trás situações (repare-se que nem digo problemas) no nosso dia-a-dia com gestão mais complicada. O prédio onde moramos tem depósito de água que dura 24 horas, quando tudo corre bem. A cidade só é abastecida de água de madrugada, altura em que os depósitos das caves vão sendo cheios, a água depois é bombada para os depósitos do telhado, e durante 24 horas estamos mais ou menos garantidos, porém se faltar a luz muito tempo ... provavelmente no dia seguinte não teremos água.

 

 

Pois é.

Então, quando está muito calor os aparelhos de ar condicionado trabalham non-stop, e a electricidade falha, e depois (eventualmente) a água.

E não vale a pena reclamar, porque não leva a nada, é pura perda de tempo.

E também é certo que a tudo nos vamos habituando - devagar.

 

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21
Set 10
publicado por devagar, às 13:31link do post | comentar |

Por todo o mundo a água é muito importante: é fonte de vida e de morte, que gostamos de esquecer que faz parte da vida. Ou há muita, como presentemente no Paquistão, e mata, ou escasseia, e sacrifica.

Aqui é escassa.

Os prédios no Maputo têm depósito e bomba e os habitantes esquecem que não há abastecimento de água as 24h do dia. São os guardas dos prédios que fazem a gestão desse abastecimento. E fazem-no muito bem. Se falta também a luz, a bomba não trabalha...e então é um problema, dos grandes.

No campo, cabe à mulher arranjar água, e chega a andar quilómetros diários para conseguir encher os bidons, que transporta com tanta elegância que parecem leves, quando o não são.

Se há quem tenha vida de sacrificio é a mulher da ruralidade, que de tudo e de todos cuida, numa vagarosa rotina diária de varrer, cultivar a machamba (=horta), cozinhar (é preciso lenha diariamente) cuidar, lavar...

Pouco descansa, se é mãe faz tudo isto com o filho às costas, amarrado numa capulana, mas não deixa de fazer.

No hemisfério Norte muita gente se queixa e nem sabe bem o que são dificuldades diárias.

Viajando devagar por Moçambique - 5 horas para fazer 200 kilómetros - por puro prazer, e abrindo os olhos para de facto ver, sei que nesta terra me ligo às coisas que na realidade são importantes. Sem concessões ao que é fácil nem ao discurso do terceiro mundo que é chato/atrasado/pouco inteligente - porque não é.

E sei-me muito privilegiada e sinto-me voltar a ser mais gente.

É bom.


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