se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
21
Set 10
publicado por devagar, às 13:31link do post | comentar |

Por todo o mundo a água é muito importante: é fonte de vida e de morte, que gostamos de esquecer que faz parte da vida. Ou há muita, como presentemente no Paquistão, e mata, ou escasseia, e sacrifica.

Aqui é escassa.

Os prédios no Maputo têm depósito e bomba e os habitantes esquecem que não há abastecimento de água as 24h do dia. São os guardas dos prédios que fazem a gestão desse abastecimento. E fazem-no muito bem. Se falta também a luz, a bomba não trabalha...e então é um problema, dos grandes.

No campo, cabe à mulher arranjar água, e chega a andar quilómetros diários para conseguir encher os bidons, que transporta com tanta elegância que parecem leves, quando o não são.

Se há quem tenha vida de sacrificio é a mulher da ruralidade, que de tudo e de todos cuida, numa vagarosa rotina diária de varrer, cultivar a machamba (=horta), cozinhar (é preciso lenha diariamente) cuidar, lavar...

Pouco descansa, se é mãe faz tudo isto com o filho às costas, amarrado numa capulana, mas não deixa de fazer.

No hemisfério Norte muita gente se queixa e nem sabe bem o que são dificuldades diárias.

Viajando devagar por Moçambique - 5 horas para fazer 200 kilómetros - por puro prazer, e abrindo os olhos para de facto ver, sei que nesta terra me ligo às coisas que na realidade são importantes. Sem concessões ao que é fácil nem ao discurso do terceiro mundo que é chato/atrasado/pouco inteligente - porque não é.

E sei-me muito privilegiada e sinto-me voltar a ser mais gente.

É bom.


11
Set 10
publicado por devagar, às 20:54link do post | comentar |

Nunca deixo de admirar a facilidade com que nestas terras se encontra o equilíbrio a andar de carro.

E eu passo explicar. Nas carrinhas de caixa aberta cabem muitas pessoas, sentadas na parte de trás, ao ar livre, sem - digamos assim - base de apoio e sem conforto absolutamente nenhum.

Mas andam cheias. De adultos, crianças, velhos e novos: há sempre lugar para mais uma pessoa ou carga.

A abarrotar.

Just take a look (e reparem nas capulanas):

 

 

É um transporte popular, utilizado para trabalho mas também para dias festivos

Já vi cortejos de casamento nestes carros. Por vezes passam por nós carrinhas em que os passageiros vão todos a cantar.

Fantástico mesmo, é o equilíbrio.

É claro que com carrinhas cheias assim se anda ... devagar.


25
Ago 10
publicado por devagar, às 06:38link do post | comentar | ver comentários (2) |

 

No mundo mais desenvolvido, está hoje na moda o baby sling, que a mulher africana usa há séculos para carregar - com o conforto possível - o bébé, primeiro de frente, depois de lado e depois às costas, conforme vai crescendo. Aqui o sling é uma simples capulana, que normalmente tem 1,10 de largo por 1,90 de comprido.

 

 

Em Moçambique é-se mãe muito cedo, e vê-se muitas vezes mulheres muito novas com o filhote às costas.

Os bebés aqui são fantásticos, andam por todo o lado, embalados, contentes e não choram. Fazem um todo amarrados às mães.

 

 

Basicamente, usa-se este sling desde tempos imemoriais por toda a zona do Índico.

 

 

É muitas vezes em cima de uma capulana que se dá o parto. A capulana serve para muitas coisas, desde o sling, a lençol, colcha, toalha de mesa, cortina, almofada, a manta de chão, para proteger da chuva e do sol e até do frio.

Mulher africana que se preze tem várias, recebe-as como presente em situações específicas da vida, e sabe usá-las no dia-a-dia e em situações formais; gosta de padrões novos, de variedade, de cores. Dependendo de onde vem, a mulhar africana prefere quadrados, flores, desenhos geométricos, estas ou aquelas cores. A capulana completa-se com o lenço na cabeça, faz conjunto.

A capulana lava bem, não deita tinta, é de algodão de boa qualidade.

A capulana custa barato. (O sling uma fortuna, comparativamente)

 

 

Sem capulana África não seria África;por si só, a capulana é fonte de muita informação, que se aprende devagar.


24
Ago 10
publicado por devagar, às 19:23link do post | comentar |

 

Hoje foi o dia da capulana, uma loucura a Casa Elefante, na Baixa.

A quantidade, o colorido, a variedade dos panos.

A vontade de tudo comprar.

E a quantidade de mulheres a comprar capulanas, que são usadas, por cima da roupa, em combinações sempre surpreendentes, sempre elegantes.

Na cabeça então ficam demais.

E o porte altivo de quem as sabe usar bem.

Para apreciar devagar.


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