se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
14
Nov 11
publicado por devagar, às 22:32link do post | comentar | ver comentários (1) |

Inacreditável, estou aqui há um mês e tenho a sensação de estar aqui há muito mais tempo, tudo se enrola, os discursos repetem-se e na realidade acontece pouca coisa, mas paira a ameaça de que tudo vai piorar.

O discurso da austeridade é demagógico e perigoso, os assuntos estão mal analisados, as ameaças de catástrofe eminente exageradas. Incomoda-me o tom do discurso dos dirigentes (nacionais e europeus) e a forma como se colocam numa nuvenzinha asséptica e moralmente superior.

Tenho vivido nos últimos meses num país em desenvolvimento, onde convivem às claras a corrupção e o mercado informal, onde se respira e se vive sem crispações. E a crise, permanente para a maioria, passa ao lado.

Tenho saudades dessa vida à beira do Índico.

Indigno-me quando os mercados depõem governos e rejeitam a clarificação do voto democrático, sobremaneira preocupados com os contágios: trata-se  de uma praga, e tem a carga negativa de outras pragas: os não contagiados só querem distância.

Casa do vizinho a arder...

O nosso Cavaco perante plateia de universitários, defende que o caso da Grécia é isolado e temos todos 'que construir um firewall para isolar a Grécia'.

Acredita quem quer.

Reparo que a compra dos submarinos alemães foi branqueada - os spin doctors consideram todo o povo estúpido e manipulável. Hoje uma amiga dizia-me que os governantes só defendem o diálogo até à primeira greve, depois deixam de fazer operações de charme. Melhor assim, fica mais claro.

Dou por mim a pensar que o poder corrompe sempre, mais os deslumbrados inexperientes.

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15
Jul 11
publicado por devagar, às 12:32link do post | comentar |

Ontem à noite no Maputo a temperatura lida no meu sofisticado i-phone dizia 7º. Situação em que não acreditaria não fosse o saco de água quente no meu colo confirmar o frio inusitado.

Jamais encarei a possibilidade de nesta terra possuir tal objecto, mas acontece que ontem mesmo comprei 2 - não fosse o diabo tecê-las - depois de uma motivada busca pelo comércio do Maputo. Aprendi que lhe chamam bolsa de água que só encontrei na secção de desporto de um armazém, depois de grandes esforços explicativos, e fiquei a saber que a dita era para as dores e só em tamanho infantil.

Aqui tem faltado o sol, chovido e feito frio. Quando a temperatura desce a vida complica-se e há muita gente a sofrer.

 

 

Cheguei há escassas 48h depois de ter estado em Portugal a resolver assuntos pendentes, o principal dos quais pendente continuou, por culpa de ambições desmedidas e alguma falta de vergonha e seriedade de quem muito me prometeu mas afinal nada produziu. A crise pintou de cores escuras todas as conversas privadas e todos os programas e debates públicos. Passou a servir de desculpa para tudo e a ser motivo de todas as queixas, de todos os desabafos e saco de boxe para todas as frustrações.

Dou comigo a pensar que assim como os médicos, juristas e até professores estão sujeitos a processos por negligência ou más práticas, e deles têm que responder perante a justiça, nada, absolutamente nada acontece a economistas e seus acólitos, os políticos. Está mal, muito mal mesmo.

E desde que aqui voltei vou pensando no  pouco que Moçambique tem e na vida dos populares que encontro pelas ruas sujas e esburacadas desta cidade ex-colonial. E do pouco que se queixam, comparativamente.


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