se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
12
Set 12
publicado por devagar, às 15:55link do post | comentar | ver comentários (3) |

Setembro é um mês de transições.

O período começa com a FACIM. A feira trás uma profusão de gente de fora, convencida que vem fazer grandes negócios, que de facto são aqui feitos mas pelas grandes corporações, que não expõem - claro está - na FACIM. Os pequenos por cá andam uma semaninha, distribuem muitos cartões e vão-se embora: mas sente-se que a época começou, é a rentrée mozambican style

Interessante é ver as celebridades lusas que nos vêm visitar - e eu questiono-me sempre quais os motivos por detrás do investimento. Este ano a grande surpresa foi o Isaltino Morais, que chegou com enorme séquito, jantaradas maningue e muitos amigos e amigas. O circuito do costume: restaurantes da moda, com o incontornável salto ao mais económico e famoso Piri-Piri, mesa enorme e cheia da sua barulhenta corte, ida às praias maravilhosas e saltinho ao Kruger.

O tempo está um pouco incerto e ora temos dias (relativamente) frios e sem sol, que é coisa raríssima e põe os moçambicanos, de gema ou sem o ser, completamente malucos, porque o frio e a humidade que se enfia por nós adentro incomoda sobremaneira, calculo (confesso aqui que com algum prazer) que o vento tremendo que nos assolou tenha incomodado bastante o grupo do Isaltino Morais. O que reforça a ideia de que há certas forças que conspiram mais a favor dos justos que dos outros.

Os europeus regressaram das férias, na escola portuguesa já começaram as aulas e pelas embaixadas e cooperações internacionais realinham-se as to do lists, revêem-se prioridades, lêem-se propostas, marcam-se reuniões, seleccionam-se os eventos em que se vai participar.

Os universitários bolseiros partem para a África do Sul, Europa e States para começarem ou continuarem os seus estudos, os pais ficam tristes mas depois a máquina trituradora da vida de trabalho toma conta deles e há sempre o skipe que ajuda os que partem e os que ficam.

 

Nós por cá vamos andando, alguns à espera do milagre da riqueza - ou a vertigem do carvão e do gás natural -  que todos os dias é apregoada nos jornais, mas que dizem os entendidos não produzirá efeitos significativos nas populações senão daqui a uma década, apesar de já estarem a engordar certas contas offshore, segundo dizem as más línguas.

As infraestruturas que irão permitir a farta exploração dos ditos recursos estão em fase de projecto e construção...No entretanto, a pensão completa da segurança social é de 200 meticais por mês e os pobres e mendigos sobrevivem ninguém sabe como. Diz-se muito que o velho aqui é respeitado, foi no passado mas os valores africanos estão também em grande sobressalto e a vida urbana é para os fortes e endinheirados, os desprotegidos nada têm a seu favor no Maputo, onde os problemas são gravissimos e os avisados bem alertam para a violência que eles suportam, a nível físico e psicológico.

 

Na minha casa está tudo igual, a Felismina anda a caminhar todos os dias para o hospital onde a filha problemática está internada, sabe-se lá com quê, desconfio eu que com qualquer coisa de grave, porque as semanas vão passando e a situação continua sem melhoras, e a Felismina a mourejar todos os dias a levar comida e água e a cantar afincadamente ao Jesus da IURD, que ela diz lhe dá tudo quanto precisa.

E agora que a poeira começou a assentar, tudo continua a andar devagar, que é o ritmo a que já me habituei e de que vou gostando, até porque o ditado nos diz - e eu começo a acreditar - que depressa e bem não há quem, e as notícias que me chegam da tugolândia vão-me dizendo que os brancos estão todos doidos...

E os dias estão a crescer e o calor está a chegar.

... 'tá-se bem!

 


Networkedblogs
mais sobre mim
Novembro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


posts recentes
pesquisar neste blog
 
URL
http://devagar.blogs.sapo.pt
Follow luisa385 on Twitter
clustermaps
Live Traffic Feed
blogs SAPO