se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
16
Set 13
publicado por devagar, às 10:09link do post | comentar | ver comentários (6) |

Aquele provérbio contado ninguém acredita...aplica-se ao que vou escrever.

As grandes empresas  têm um mega trabalho a escrever e aplicar procedimentos. Fazer tudo by the book é muito difícil quanto mais não seja porque universalmente se resiste à mudança. Há empresas que trabalham nonstop e que por isso organizam o trabalho em turnos. E, porque o trabalho é pesado, incluem pausas e snacks. O que a malta até aceita na boa, não fosse o snack ser uma barra de cereais. O snack é difícil de engolir, porque nem se gosta, nem enche barriga, nem dá gozo nenhum. E nem vale a pena falar-se em regras de higiene ou calor que deteriora os alimentos. O que se quer é arroz e patas de galinha, que se roem com o maior prazer e não fazem mal a ninguém.

Outros exemplos do contado ninguém acredita:

O casamento tradicional é o casamento, os outros poderão ter algum interesse mas o tradicional tem o estatuto mais elevado. Inclui um coro que canta (e bem) e que o faz durante um tempo longo, independentemente de quaisquer outras considerações, mesmo num prédio, ocupando as escadas por onde ninguém mais passa, a horas despropositadas.

No posto da gasolina não devemos arriscar dizer para encherem com X meticais, porque se leva tudo à letra, e mesmo que venha por fora continua-se até fazer aquele montante.

Quando se vai apanhar um voo interno, mesmo com bilhetes confirmados e reconfirmados, temos que ter cuidado e chegar mesmo cedo, porque se não temos cautela alguém que estava em lista de espera foi posto no nosso lugar, e remeteram-nos a nós para a dita lista de espera sem fazer cerimónia, e depois já de nada vale reclamar.

Nas grandes empresas o controlo do combustível gasto pela frota automóvel, em relação aos quilómetros feitos, é tarefa árdua e tantas vezes inglória; há sempre quem roube e dizem até que ser condutor de um veículo pesado é o mesmo que possuir um ATM, e quanto maior e mais pesado for o veículo, mais recheado estará o ATM.

De facto, os incautos que pararem no meio da estrada com falta de combustível longe de tudo e todos, podem contar que aparece alguém com combustível para vender (extraído dos ATM que circulam nas estradas), e é preciso negociar para pagar um preço razoável, até porque esta é a única assistência na estrada.

E é assim, e tudo isto a fazer-se sempre devagar.


01
Set 10
publicado por devagar, às 06:39link do post | comentar | ver comentários (1) |

Quem, como eu, gosta de andar pelas ruas de Maputo, e já atingiu - digamos assim - a idade madura, fica muitas vezes surpreendida com a constante ladaínha dos vendedores:

 

 

- compra mãe

- não preciso, já tenho

- ajuda mãe, faço bom preço

e insistem, insistem, insistem...

Depois, à medida que nos vão conhecendo, deixam de ser tão insistentes. Mas if you are new in town...não largam.

Pessoalmente, acho curioso como arranjei tantos filhos. É assim por todo o lado: mãe compra, mãe ajuda: somos mamã e papá.

 

Vendedor de fichas triplas, adaptadores e extensões.

Muito útil em Maputo. Poucas tomadas nas casas (antigas) e

a maior parte das fichas dos pequenos electrodomésticos

são sul africanas, têm que se adaptar.

 

Um dia uma vendedora de amendoim insistia muito, mãe compra, mãe faço bom preço... e eu disse-lhe, não posso minha querida, isso engorda muito, não como amendoim

Voltou-se para mim, surpreendida primeiro, depois em tom de cumplicidade

- fazes bem mamã, o papá gosta assim.

 

Coisas para apreciar, devagar.

 


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