se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
07
Fev 12
publicado por devagar, às 13:31link do post | comentar | ver comentários (2)

A morar desde meados de Agosto de 2010 em apartamento arrendado no Maputo, que encontrei em anúncio do jornal, com as características que consideramos essenciais, sentia-me privilegiada face a imensos amigos e conhecidos que relatavam ter vivido situações extremas na sua relação com os respectivos senhorios, havendo casos em que o senhorio avisara, de supetão, que tinham que sair - com os respectivos tarecos - no prazo de 5 dias, o que não é tarefa fácil, to say the least.

Tenho um senhoria moçambicana de gema, que assinou connosco um contrato de arrendamento a 1200 USD por 2 anos, renováveis por iguais perídos e com 200 USD de aumento, e que se orgulha de, em tempos idos, a sua família, negra, ser a excepção a residir num apartamento em prédio de brancos e na zona branca da cidade (este mesmo que arrendamos). Essa excepção deveu-se ao facto do seu pai ter pertencido à PIDE/DGS, de que ainda hoje muito se orgulha, e que explica que nas suas veias 'corriam as cinco quinas' e que a impedia de se identificar com a sociedade em que vive, por ter sido educada 'com outros princípios'.

Balelas.

Vila Algarve, perto do meu apartamento, antiga sede da PIDE....em ruínas.

 

Regressados de Portugal a 8 de Janeiro, insistiu com telefonemas e sms nonstop, em ter connosco reunião. Nela, alegou que teria que pagar renda mais alta ao senhorio dela (no apartamento de que é arrendatária) e queria saber 'o que é que nós tinhamos a dizer e como a poderíamos ajudar?'.

Respondemos nada, lamentávamos, porém essa situação não nos dizia respeito. Dissemos mais coisas mas não vêm ao caso.

Não aceitou, insistiu, mostrou um papel onde tinha rabiscado vários cenários, agradando-lhe mais o de 1500 USD mês, mas tinha hipóteses que chegavam aos 1800 USD. Frisámos que tínhamos um contrato até Agosto. Ignorou o que dissemos.

Fomos fazer uma prospecção do mercado, andei à torreira do sol a ver apartamentos, nesta zona e com as condições de segurança e higiene de que não abdicamos, cansei-me a subir e descer escadas, a ver gente esparramada a dormir em cima de sofás, embrulhada em mantas de lã, com o ar condicionado no máximo, enquanto me mostravam um apartamento habitado, em que abriam portas de quartos e WC's com pessoas lá dentro (e que eu dispensava ver...) sem qualquer respeito nem por quem estava a visitá-lo nem por quem ali ainda residia e pretendia fazer do arrendamento o grande negócio da sua vida.

No Maputo há falta de apartamentos, há empresas que chegam aqui e arrendam tudo o que há para os seus funcionários. O dólar desceu face ao metical, que é mantido alto para que não haja inflacção e se contenha qualquer semente de contestação social. O preço dos arrendamentos é absolutamente especulativo: se o governo baixa o dólar, o moçambicano sobe a renda, são os estrangeiros que pagam e esses não contestam...

Depois de muitos telefonemas, muitos estafanços a ver apartamentos, a ficar de cabelos em pé com os preços pedidos e muitas histórias rocambolescas ouvidas à mesa do café....fomos ao encontro da senhoria, no cenário médio, por ser mais barato do que qualquer vislumbre de mudança.

Aqui os contratos - e disse-nos isso mesmo a senhoria - 'não servem para nada' até porque os tribunais não funcionam, ou fazem-no tão devagar que nem vale a pena.

 


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