se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
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Out 12
publicado por devagar, às 15:15link do post

Por aqui há dias bons e dias menos bons.

O dia-a-dia nem sempre é fácil, o mal está em esquecermo-nos disso e abrandarmos a vigilância.

Há horas em que deveríamos estar quietos. Horas em que estamos onde não deveríamos estar. Num momento estamos bem, divertidos e cheios de planos para um jantar agradável e um fim de semana longo a ver os animais no Norte do Kruger, e no momento seguinte - o da hora escolhida de quem dentro de um carro como qualquer normal consumidor espera para nos roubar - deixamos de ter certezas, lutamos para não nos levarem tudo mas - lá está - nessa altura deveríamos era ter estado noutro sítio.

No fim do dia uma certeza: neste continente há um esforço a ser feito no sentido do empowerment em direitos humanos e do consumidor. Direitos nesta zona adquirem-se com dinheiro, e é bom andar prevenido.

Ver guardas nos parques de estacionamento, ver câmaras colocadas nos cantos estratégicos desses parques, não é garantia de que estamos protegidos, antes pelo contrário.

Na 4ªfeira passada, dia 3 de Outubro, ainda era dia, fomos assaltados quando saíamos do carro,  no parque de estacionamento do Riverside Mall em Nelspruit, na entrada que dá acesso ao Mug & Bean, que é a nossa preferida e de milhares de moçambicanos que lá vão fazer compras durante os 365 dias do ano.

Pelo facto deste Centro Comercial facturar alto devido ao input dos meticais moçambicanos, deveríamos ter sido bem tratados pelos guardas e pela polícia. Não fomos nem bem nem mal tratados: a câmara não funciona, os guardas que estavam a 5 metros nada fizeram- ficámos até a pensar que faziam parte da quadrilha - e a polícia que foi chamada ao local apenas nos quis levar para a esquadra para escrever o nosso depoimento e no dia seguinte dar-nos uma certidão, com a qual passamos a fronteira sem problemas e no Maputo começamos a saga difícil de recuperar a identidade, e todos os documentos que essa identidade implica, que nos usurparam num parque de estacionamento de um shopping que 'se vende' como local seguro.


Como temos amigos e algum dinheiro fomos conseguindo resolver a situação de ficar sem passaportes, autorizações de residência, dinheiro para a estadia no Kruger, cartões de crédito, 3 blackberrys, o meu ipad (que já fazia parte de mim), chaves e documentos do carro, os medicamentos, a máquina fotográfica, e outras coisas de mais fácil substituição.

Oferecemos resistência - um erro que pode tornar tudo mais violento e perigoso, mas naquela altura não se pensa nisso - e os guardas continuaram só a olhar.

Já no Maputo, vamos tomando conhecimento dos casos de muitos moçambicanos que passaram por semelhante experiência. Alguns perderam o gosto por ir a Nelspruit às compras. Nós ainda não sabemos bem como nos vamos comportar, mas gostamos de pensar que iremos esquecer. Por enquanto estamos só a continuar.

Devagar.


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