se vai ao longe? ou nunca se chega? Em terras do Índico, vamos abrandar...
17
Fev 12
publicado por devagar, às 07:43link do post | comentar | ver comentários (2)

A vida em Maputo está cara. Para os expatriados tugas, o dia-a-dia é mais dispendioso do que em Lisboa.

A razão principal é a valorização artificial do metical, que não corresponde a desenvolvimento sustentado, antes à necessidade de manter a estabilidade dos preços e evitar a todo o custo a inflação, para não haver perturbações sociais.

A memória das sublevações de Setembro 2010, que isolaram o Maputo do cimento...com pneus a arder nas ruas, bloqueadas pela população dos bairros, a greve dos transportes urbanos, o batalhão de desempregados na rua (cujo dia-a-dia é feito de biscates) a recusar o aumento do pão e do preço dos chapas, fez recuar quem decide: a rua venceu e os preços desceram. A lição foi aprendida, por um partido único que teme a oposição interna, quer popular quer dentro do próprio partido, e com eleições em 2014 é bom que tudo esteja calmo.

Há uma ano trocava-se 1.000€ por 47.000 meticais, agora aqueles euros valem apenas 34.500 meticais. Igual descida sofreu o dólar (e aqui tudo se reporta ao dólar). O preço do açúcar, produção nacional consumido em quantidades assustadoras, desceu. Estável o preço do pão, leite, arroz, amendoim, banana, frango e carapau.

Mas quem paga renda de casa em dólares sofreu aumentos substanciais, do tipo pegar ou largar (relatei no post anterior), os senhorios acertaram o cambio do dólar para manterem o seu equilíbrio orçamental. O parque habitacional de Maputo está caríssimo e a escolha diminuta.

Quem veio para aqui com um ordenado contratado em dólares de repente recebe muito menos todos os meses - e paga tudo mais caro. Aqui um café custa entre 40 e 50 meticais (se 1€ = 34,5 meticais...o café é mais caro que em Lisboa). Nos centros comerciais onde os contratos de arrendamento comercial têm de ser cumpridos, os senhorios exigem - agora - que as rendas sejam pagas em meticais, porque em dólares estão a perder dinheiro. Se sairmos de Maputo para a África do Sul o câmbio também se alterou, desta vez não a favor dos meticais. E a malta vai-se adaptando, até porque se tornou mais barato pagar as importações, mas quem importa não mexe nos preços: uma mão lava a outra e as duas lavam a cara.

O país tem um enorme manancial de riquezas, sobretudo gás natural e carvão, cuja exploração carece de investimentos avultadíssimos, que incluem infra-estruturas, um esforço brutal que envolve, entre outros, países como o Brasil, a Índia, a China e a Austrália. Desse ponto de vista, o país cresce ao ritmo que as grandes corporações tanto gostam, quando apresentam os lucros aos accionistas.

 

Aqui no Maputo nada se sente, nas escolas não se investe, na formação de professores também não, fala-se em off da possibilidade da Frelimo abrir a sua própria universidade (?), e a população vive agora exactamente como vivia há um ano.

Contudo, os ventos de mudança estão a avançar, apesar de muita gente ainda se não ter apercebido, e Moçambique é agora altamente apetecível para quem tem músculo financeiro.

No dia a dia tudo devagar.


02
Ago 11
publicado por devagar, às 15:02link do post | comentar | ver comentários (4)

... devagar, como tudo o que por aqui acontece.

Com (até ver) uma única excepção: o fim do mês, que é sempre de grande alvoroço, com muito movimento nas ruas desta cidade. Depois tudo volta à normalidade lenta do dia-a-dia sempre mais ou menos igual.

Os vencimentos aqui pagam-se no dia 30 ou 31, conforme os dias que o mês tem, e quando o último dia é num Domingo ou Feriado, como aconteceu neste mês de Julho, então os vencimentos pagam-se no dia 1. Um esquema muito rígido, mas os moçambicanos gostam das coisas bem definidas...disso tenho exemplo flagrante cá em casa pela forma sempre idêntica e pouco criativa com que a Felismina se atira à cozinha e se falta um ingrediente, por mínimo que seja, tipo folha de louro, já a tenho ao pé de mim com cara de caso como se tivesse que enfrentar um problema do tamanho do mundo...

E no dia santo do ordenado são filas intermináveis nas Caixas ATM. E palmilham-se as distâncias necessárias que a malta aqui é extremamente fiel ao seu balcão, se não o for paga taxas bastante mais altas, incompatíveis com os magros salários, mas isto são coisas dos países em desenvolvimento, porque no desenvolvido reino dos Tugas ninguém as paga, e por lá a malta refila imenso sem saber que está até muito bem, comparativamente às realidades daqui.

Também é dia de grandes bebedeiras, acidentes de automóvel e alta actividade dos carteiristas, num esquema também rigido, como os moçambicanos tanto gostam.

Aqui em casa optámos por pagar na 6ªfeira dia 29, para sossego nosso e grande alegria (e alívio) da Felismina.

Ando naquela fase em que tudo faço para evitar o stress - algo que os moçambicanos praticam muito bem, excepto nesta concentração de pagamentos e levantamentos do último dia do mês.

Eu estou a fazer tudo devagar.

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